domingo, 31 de outubro de 2010

They don't know you can't leave.


Meu fênix,

Foi desumano o que aconteceu comigo hoje, há alguns minutos atrás.
Eu saberia que te ver me deixaria mal, mas não imaginava que ver sua foto e obter noticias (ruins) suas me deixaria péssima.
Seus olhos azuis, brilhando na foto, meio avermelhados pelo flash. Seu cabelo loiro batido rente à cabeça, e a sua barba exatamente do modo como eu gosto, raspada em um cavanhaque que te deixa com um ar de cafajeste – bem que você não precisa disso para ter ar de cafajeste – com a roupa de segurança do seu novo emprego, e uma bolsa de lado. Com aquele meio sorriso no rosto que eu sempre te disse que amava, ao lado do seu pai verdadeiro, qual você sempre me falou, mas eu nunca cheguei a conhecer.
Você, tão bem arrumado na foto, nem parece aquele garoto que eu salvei das coisas ruins, que vivia com maconha no bolso. Parece estar tão bem! Isso me conforta... Mesmo assim, ainda dói, te ver em fotos parece sonhar com o impossível, sonhar sem querer sonhar... Doeu como eu pensei que não fosse doer nunca mais, me derrubou como um golpe de luta, fez meu estomago se revirar, minha cabeça girar e meu corpo tremer por inteiro, como se você estivesse ao meu lado.
Eu queria tanto poder ouvir sua voz mais uma vez. Poder olhar nos seus e dizer que tudo vai ficar bem.
Eu sinto tanta falta de cuidar de você. Sinto falta da sua risada, do seu perfume, da sua cara de mal e de quando você fazia piada de tudo. Eu sinto falta do barulho da sua moto na rua, e de você cantando sem ar do D’black pra mim, quando todos foram contra nós.
Sinto falta do seu abraço, e de no momento em que você me abraçava, sem que ninguém percebesse, sussurrava no meu ouvido que estava com saudades dos meus beijos e que sempre iria me amar.
Sinto falta de tanta coisa que se relacione a você, até dos seus surtos, eu sinto falta. De ver sua mãe toda histérica porque você queria carinho e ela não queria te dar, eu dava risada da desgraça dela, você lembra?
Sinto falta, mas isso é uma falta matadora, de quando você chegava do nada na porta de casa, mandava minha mãe me chamar, e, sem que ela notasse, cantava eu sempre vou te amar, e sorria pra mim, eu sabia que era pra mim, só eu, ela pensava que você estava cantando de bobo, porque gostava, e eu sorria de volta e você ia embora... Isso eram quase todas as manhãs, já havia virado rotina. Eu sinto falta da rotina de nós dois. Acordar as cinco e quarenta da manhã com você, e ir dormir as onze e meia, também com você. Ir para escola, voltar meio dia e te ver parado lá na esquina de casa, sorrir pra você, você sorrir pra mim, me abraçar, dizer que me ama e voltar. Eu sinto falta de toda essa rotina. De inventar histórias só pra te ver, de chorar junto com você. Eu sinto falta de tudo, de tudo o que foi nosso. E, ver sua foto, escrever isso aqui, faz com que eu desabe em lágrimas. Por sentir falta, daquilo, que não vai mais voltar. 
Só peço que se cuide, e fique bem. Assim como eu tento ficar.


Eu sei que você ainda me ama, assim como eu ainda te amo.
E eu serei, para sempre, sua garota.

Nenhum comentário:

Postar um comentário